Truque de Mestre: O 3º Ato (Now You See Me: Now You Don’t) aparece em 2025 tentando trazer uma franquia de volta quase dez anos depois de um filme não tão bem sucedido e, ao mesmo tempo, tenta continuá-la. Aqui não existe uma trama forte, nem os personagens mais interessantes, contudo, é injusto afirmar que é um mau filme. O 3º Ato vem com vícios do segundo, principalmente em um dos elementos que o prejudicaram, como a tentativa de tornar os Cavaleiros algo mais “super heroico”. No entanto, ainda que continue aparentando infantilóide e descabido, esse conceito funciona melhor aqui, e é melhor executado pela direção.
Para reforçar essa nova imagem nos Cavaleiros, o novo trio entra e, no começo, parece inchar o elenco, mas logo uma química básica e divertida surge. Os jovens mágicos vêm com um pouco daqueles maneirismos irritantes de “novos protagonistas em franquias estabelecidas”, mas sinto que o roteiro logo abandona isso e segue a trama sem problemas. O 3º Ato abraça de vez e com vontade o lado “mitológico” da história. Aqui, os mágicos não são ladrões para si, mas para o povo. Para alguns, o roteiro pode não ter conseguido trabalhar isso, entretanto, creio que as peças foram bem colocadas, embora não causem grandes impressões.

Pinóquio de Igor Voloshin inicia promissor, mas se perde em galhofa. Uma adaptação sem essência, com fotografia e atuações feitas com preguiça.
É claro que, como os anteriores, O 3º Ato sofre da gripe da exposição, e não é errôneo afirmar que ela é até aumentada. A maior parte do filme é composta por personagens em grandes salas explicando o que farão e, ao mesmo tempo, tentando impressionar uns aos outros. Com isso, a direção aproveita para demonstrar truques absurdos, quase sem explicação, mas jamais caminha de verdade com eles.
Existem algumas poucas cenas em que se tenta criar grandes sequências, como o final, mas a energia não parece ser a mesma. A própria mansão ilusória, com todo seu potencial de show de truques de perspectiva, é subutilizada como um amontoado de referências de mágica. Não existe uma real ambição aqui, nem inventividade, ou criatividade. Na verdade, é o filme com menos mágica dos três.
O aumento no elenco acaba por prejudicar o filme também, já que ninguém tem espaço dramático, apelando para diálogos sentimentais e pequenas pinceladas sobre cada personagem. Rosamund Pike, está totalmente canastrona e desperdiçada. Como o longa não sabe tratar de sentimentos de uma forma funcional, aposta em verbalização de sentimentos de amizade, medo, e amor, em vez de construir tudo isso. No entanto, ainda assim, eles são divertidos. Sua energia e sinergia são muito palpáveis e tornam a assistida mais agradável. Há, por exemplo, momentos de carisma e mágicas muito divertidas. Poucas piadas funcionam, truques menos importantes pegam o público e o ritmo nunca deixa as coisas tediosas.
Infelizmente, ao fim, O 3º Ato não leva nada em novas direções, mas se mantém preso nos maneirismos e convenções da própria franquia. Não chega a ser desastroso, mas é sem dúvidas esquecível. Se existe uma ilusão, é a de que talvez com outro filme a saga se ajeite.




