Crítica de filme

Avatar: Fogo e Cinzas

Publicado 2 meses atrás
Nota do(a) autor(a): 4

Avatar: Fogo e Cinzas (Avatar: Fire and Ash) é mais um exemplo de como James Cameron é eficaz em colocar seus espectadores dentro do universo e do mundo de Pandora. Aqui, o visual consegue melhorar ainda mais em comparação ao filme anterior, e todo o trabalho de som é uma recompensa aos ouvidos. Por algumas horas, Pandora se torna o novo lar de quem assiste, e é completamente possível esquecer por completo do mundo e da vida. É bizarro como, em dado momento, você esquece que 99% do que se vê é feito por efeitos especiais, e toma tudo como real. O filme é um convite, e um dos bem feitos.

Graças a direção dedicada de James Cameron, apaixonado pela própria ideia como ele é, o público se maravilha e cativa com tudo o que vê, não só por ser belo, mas por estar sendo mostrado como um atleta premiado exibe seus troféis. A experiência jamais chega perto do tédio, nem da sensação de arrasto, mesmo tendo mais de três horas. Tudo é muito fluído e agradável, e na verdade o que se sente é o gosto de “quero mais”!

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No entanto, Fogo e Cinzas é sim mais alongado do que devia, e estende questões internas de forma artificial. A sensação que fica é que James Cameron não está mais tendo ideias novas o bastante para continuar o fio da saga, e que prolonga o que já tem para render alguma coisa. O problema é que qualquer um prestando mais atenção vai notar esse fato. No entanto, existe um outro aspecto que, embora possa ser uma razão para esse alongamento, não passa nem perto de uma boa desculpa: ele está guardando o melhor para o final, até por que, o plano são cinco filmes.

Nessa sequência, os mesmos tipos de situações são explorados, como batalhas na água e uma trama bem mais voltada ao oceano num geral, o que contradiz o título da obra. Até quando o roteiro trás algo de diferente, ele mesmo se sabota e reverte a trama para uma estrutura quase idêntica a do segundo filme. Sequestro de crianças revela um novo vilão, Jake Sully se prepara para enfrentá-lo, o novo vilão caça Jake Sully com veemência ao longo da obra e realiza pequenas maldades pelo caminho, Jake Sully reune os Na’vi para uma guerra contra o inimigo e o confronta numa batalha épica de corpo a corpo. É complicado, mas acontece sempre.

Para contornar a fórmula e tentar caminhar, o roteiro trás muitas e bem-vindas cenas de vivência de Jake e sua família em Pandora, assim como trás um aprofundamento na mitologia do planeta e da própria deusa Eywa, através de Kiri. São pequenos acenos que dão ao filme uma cara mais própria e ajudam a não parecer uma cópia. O esforço ao redor da personagem Kiri são louváveis, e ela por si só, é bastante bem escrita. Existem cenas em torno de Jake, suas questões como Toruk Makto, a Neytiri que também tem mais foco. Só não achei apreciável, no entanto, a narração em off de Loak, filho de Jake. O personagem mal aparece aqui, pelo menos não de forma impactante, e suas narrações não contribuem para nada, parecendo apenas reflexões jogadas no meio do longa.

A tribo do fogo, inclusive, é um desperdício triste no que diz respeito a aprofundamento, já que só estão ali por dois motivos: dar a Pandora um ar de diversidade e servir de muleta para o arco do vilão Miles Quaritch. Tanto é assim que essa tribo não tem seus costumes realmente explorados, nem sua líder é aprofundada em nada, e no fim eles não possuem impacto na trama de forma quase alguma. É uma pena.

Por fim, o filme cria uma faca de dois gumes se utilizando do artifício “mais e maior” e atribuo essa dualidade ao emprego da técnica, pois o diretor sabe, e sabe muito bem, trabalhar cenas épicas e grandiosas de ação, conseguindo apresentar um verdadeiro espetáculo em realização e conceito. Tudo em Fogo e Cinzas é incrível de olhar. Tudo é plástico, e não é cansativo ver. Porém, é claro, o filme se utiliza disso, pois não tem nada de original para mostrar, então pega a batalha final do segundo e a aumenta até a décima potência na tentativa de soar novo. Toda cena de ação aqui é vítima disso, em verdade. Perseguições são mais longas, voos demoram mais e guerras são alongadas. Mesmo assim, é mentiroso negar que aqui temos o filme mais espetacular dos três, e mais mentiroso ainda dizer que este não tem algumas das melhores sequências de ação que Cameron já dirigiu.

No fim das contas, Avatar: Fogo e Cinzas é um bom filme? Segundo penso, sim, e na verdade está longe de ser ruim. Para alguns, mediano talvez coubesse melhor. Tudo é tão precioso, tão bem filmado, tão bem contado até, que é difícil fechar os olhos e apenas afirmar que a coisa não presta. James Cameron é com certeza um artista capaz de cativar, mesmo que mostre, as vezes, pinturas muito parecidas umas com as outras.

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Avatar: Fogo e Cinza

Avatar: Fogo e Cinzas

Avatar: Fire and Ash
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País: EUA
Direção: James Cameron
Roteiro: James Cameron, Amanda Silver, Rick Jaffa
Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang,
Idioma: Inglês

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