Em Sirāt, sob a direção de Oliver Laxe, acompanhamos uma catarse sonora sob uma fotografia desértica. A partir disso, vemos a jornada de um pai (Sergi López) e seu filho que buscam encontrar a filha – que, ao que parece, está em uma das raves que acontecem na região. Conforme o desenrolar da trama, surge um estopim que muda os rumos da história, trazendo sons arrebatadores que testam o nosso coração.
O interessante de Sirāt é o poder de construir uma trama na qual o próprio espectador consegue encontrar, em sua essência, o significado da história. No começo, ela parece confusa, mas, no decorrer do último ato, percebemos que se trata de uma forte crítica à tentativa de apagamento de culturas por uma classe opressora. Essa diluição identitária manifesta-se através do viés bélico, em que vemos explosões e as forças armadas tentando oprimir a cultura das raves.

Sirāt apresenta uma jornada angustiante e devastadora, onde uma fagulha de esperança luta para não ser soterrada pela areia, poeira e música
Apesar disso, o roteiro apresenta uma cadência oscilante; o ritmo contemplativo pode alienar o espectador que busca uma narrativa mais linear, ainda que pareça ser uma escolha estética deliberada de Laxe. Já o som desse filme é simplesmente arrebatador – é impactante, é brutal. Por fim, Sirāt é um registro ousado de como estamos reféns de uma sociedade incompreensiva.




