No longa Cinco da Tarde, dirigido e escrito por Eduardo Nunes, a trama acompanha Anabel (Bárbara Luz), uma jovem que morava com a avó no Rio de Janeiro. Com a morte repentina da idosa, ela se vê mergulhada em um luto silencioso, solitário e confuso. É nesse momento de dor que decide ir à casa de Meiko (Sharon Cho), sua vizinha tímida que também mora sozinha.
Conforme a trama avança, essa aproximação singela revela dores compartilhadas e semelhanças improváveis. Juntas, elas constroem uma relação de afeto e amparo mútuo para lidar com o peso da perda.

No longa Mestres do Universo, dirigido por Travis Knight (Kubo e as Cordas Mágicas) e escrito por Chris Butler e pelos irmãos Adam e Aaron
O filme traz uma narrativa fora do convencional do gênero dramático brasileiro. Através de uma direção e roteiro sutis, o diretor propõe uma reflexão sincera sobre a ausência. A fotografia, filmada em preto e branco com momentos coloridos intercalados, funciona como uma espécie de aquário — muitas vezes mostrado na narrativa —, que explora o espaço e o isolamento emocional dessas duas personagens. Gosto de como a trama foge do clichê ao caminhar de forma sutil entre a perda e os momentos poéticos (como sonhos) partilhados de uma para a outra.
Ainda assim, a obra tem seus deslizes. No segundo ato, o roteiro perde o foco da trama principal ao investir demais em subtramas, o que torna o ritmo arrastado e um pouco confuso.
O que salva o filme de perder o interesse do espectador é o elenco. As atuações de Bárbara Luz e Sharon Cho são espetaculares; a química e o carisma que as duas transmitem na tela são simplesmente catárticos.
No fim, Cinco da Tarde peca no desenvolvimento, mas recompensa grandemente em sua estética, direção e atuações. No fundo, nos deixa com a pergunta incômoda: afinal, como lidar com a ausência?




