O longa Pequenas Criaturas, novo drama brasileiro escrito e dirigido por Anne Pinheiro Guimarães, acompanha uma espécie de lembrança da diretora sobre sua infância em Brasília. A trama se passa nos anos 80 na capital federal, para onde Helena (Caroline Dieckmann) se muda com sua família, mas acaba sendo abandonada pelo marido. Frustrada, Helena lida com a dificuldade de se adaptar à cidade e de criar seus filhos sozinha.
Anne Pinheiro Guimarães acerta em trazer uma trama melodramática arrebatadora, mas ao mesmo tempo sutil. A obra é visualmente e esteticamente belíssima, contrastando muito bem as cores da Brasília dos anos 80 e trazendo claras referências ao clássico E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg. Anne afirmou recentemente que a solidão é um assunto contemporâneo, e ela traz muito dessa ideia aqui… Seja através do excelente trabalho do jovem Theo Medon ou de Caroline Dieckmann, que entrega aqui a melhor atuação de sua carreira no papel de Helena. A personagem não consegue olhar para as crianças, sentindo o peso do abandono e da traição, ao mesmo tempo em que conhece o personagem de Caco Ciocler — que mais uma vez arrebenta, mesmo com pouco tempo de tela.

No longa Nino de Sexta a Segunda, sob direção da estreante Pauline Loquès, acompanhamos uma trama inspirada em fatos reais. O filme narra um fim
Por fim, Pequenas Criaturas transforma a solidão em uma experiência poética e dolorosa. Um drama que resgata a nostalgia dos anos 80 não apenas pelo visual, mas por capturar com maestria as dores do amadurecimento e a beleza dos laços afetivos.




