No longa Cartório das Almas, escrito e dirigido por Leo Bello, acompanhamos Laura (Gabriela Correa), uma jovem de 126 anos que vive em uma realidade distópica onde a humanidade alcançou a vida eterna. Acomodada em uma rotina burocrática, ela trabalha no Cartório das Almas, uma repartição encarregada de registrar e protocolar os cidadãos que optam por encerrar suas próprias vidas.
No entanto, ao ouvir diariamente os relatos e motivações daqueles que decidem partir, Laura passa a refletir sobre a própria existência e percebe que também não deseja viver para sempre. Presa a um contrato que a impede de tomar a mesma decisão, ela é forçada a encarar o peso da eternidade, a perda gradual de memórias e o isolamento de uma vida sem perspectiva de fim.

No longa documental Honestino, dirigido e roteirizado por Aurélio Michiles, acompanha-se a ressignificação da trajetória do líder estudantil Honestino Guimarães através de um formato híbrido.
Cartório das Almas é um filme extremamente contemplativo, e belíssimo em sua decupagem. Sinto que talvez, funcionaria melhor como um curta. Já que a sua proposta é contar sobre a vida e o pós vida, mas que numa narrativa mais íngreme, tropeça no meio do caminho.
A fotografia feita por Pedro Maffei também se destaca, composta por uma paleta de tons frios que representa o pós vida. No entanto, o filme perde ritmo no segundo ato, e beira o monótono onde se precisava ritmo.
Por fim, Cartório das Almas é sobre a finitude e o tempo como eles verdadeiramente são! A gente nasce, vive, busca razões para continuar e, no fim, descansamos.