Em Menarca, curta dirigido por Maria Clara Guedes e escrito por Luiza Zamora, narra a história de Lia (Laura Pinheiro), que, conforme a adolescência chega, descobre que está se tornando uma vampira. Com isso, Lia começa a vivenciar novas experiências em seu corpo. O que parecia inicialmente apenas um sintoma da puberdade logo assume novas perspectivas. Em meio a descobertas, a transição de Lia para a adolescência ultrapassa o comum, ganhando proporções vampirescas.
A narrativa de Menarca é totalmente original e ousada. A dimensão que a diretora Maria Clara Guedes e a roteirista Luiza Zamora dão à obra é realmente surpreendente. A ambientação da escola, a iluminação… simplesmente tudo. Só que o grande acerto mesmo está na fotografia, que se mostra um espetáculo desde o primeiro segundo: a cada sintoma da transformação, a sensação que passa é a de uma verdadeira crise de ansiedade. A câmera se embaraça e treme, traduzindo o desespero e o sufoco de Lia, tornando-se uma personagem à parte. Para mim, a construção de Lia é realmente muito boa. Era alguém que, de início, se sentia completamente deslocada dentro da própria pele e que, através da transformação, encontra sua força e seu próprio lugar.

O longa Me Chame Pelo Seu Nome, sob a direção do versátil Luca Guadagnino e adaptado com sensibilidade pelo roteirista James Ivory a partir da
Por fim, em Menarca Maria Clara Guedes assina uma direção impecável, orquestrando uma cinematografia hipnótica que opera diretamente nos sentidos do espectador. Esteticamente, é uma narrativa que disseca um momento difícil com uma rara sensibilidade, fechando a experiência com roteiro marcante e uma fotografia de encher os olhos.