Em Onde Eu Começo?, documentário dirigido por Mayana Neiva e corroteirizado ao lado de Duda Casoni, acompanhamos o retorno da própria artista ao Sertão da Paraíba após anos radicada em Nova York. Ao perceber o distanciamento acumulado pelo tempo e pela geografia, Mayana decide refazer a curva de sua própria história. O que parecia inicialmente apenas uma visita às origens logo assume novas perspectivas: em meio a lembranças, arquivos e reencontros, essa jornada de volta para casa ultrapassa a simples nostalgia, ganhando proporções de um profundo acerto de contas com a própria identidade.
A narrativa de Onde Eu Começo? é totalmente íntima e corajosa. A dimensão que Mayana Neiva e Duda Casoni dão à obra é realmente comovente. A ambientação árida do sertão, o resgate das vozes familiares, o silêncio dos afetos… simplesmente tudo. Só que o grande acerto mesmo está no diálogo entre a fotografia de Kennel Roggis e a montagem de Casoni, que se mostra um espetáculo desde o primeiro segundo: a cada registro do passado sobreposto ao presente, a sensação que passa é a de um coração acelerado reencontrando o próprio compasso. A câmera acolhe o tempo e contempla a poeira das raízes, traduzindo o desamparo de quem esteve longe demais de si e a urgência de regressar, tornando-se uma testemunha viva daquela busca. A construção autobiográfica de Mayana é profundamente humana: uma mulher que se percebe fragmentada pelo mundo e que, ao encarar o barro de onde veio, redescobre sua força, sua verdade e seu verdadeiro lugar.

Em Menarca, curta dirigido por Maria Clara Guedes e escrito por Luiza Zamora, narra a história de Lia (Laura Pinheiro), que, conforme a adolescência chega,
Por fim, em Onde Eu Começo?, Mayana Neiva assina uma direção impecável, orquestrando uma cinematografia poética e visceral que opera diretamente no peito do espectador. Esteticamente, é uma obra que disseca o desenraizamento com uma rara sensibilidade, fechando a experiência com uma montagem marcante, um lirismo arrebatador e uma força imagética de encher os olhos e a alma.