Crítica de filme

Nasce Uma Estrela

Publicado 21 horas atrás
Nota do(a) autor(a): 5

O remake de Nasce Uma Estrela, sob a direção surpreendentemente madura de Bradley Cooper que também assina o roteiro ao lado de Eric Roth e Will Fetters, resgata uma das tramas mais recontadas de Hollywood para entregar uma obra profundamente humana sobre a indústria da música, o peso dos vícios e a finitude. O longa acompanha Jackson Maine (Bradley Cooper), um astro do country-rock no auge da carreira, mas em claro declínio físico e mental, consumido pelo álcool, pelas drogas e por um zumbido constante no ouvido que ameaça o que resta da sua audição. Caçado pelo cansaço e pela solidão dos grandes palcos, ele vive no piloto automático até que seu caminho cruza o de Ally (Lady Gaga).

Em um bar de drag queens longe dos holofotes, a rotina autodestrutiva de Jackson é interrompida pela bela voz de Ally, uma garçonete e compositora desacreditada do próprio potencial. O encontro dos dois não é só um clichê romântico, mas o choque entre a experiência calejada de quem já viu de tudo e a pureza de um talento que só precisa de espaço. Quando Jackson a puxa para o palco para cantar “Shallow”, a sintaxe que se cria ali não é feita de palavras, mas de acústica e entrega. A conexão é imediata e muda o rumo da vida dos dois.

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Enquanto a carreira de Ally decola de forma avassaladora, a obra se debruça sobre a impossibilidade de Jackson em acompanhar esse ritmo sem se desfazer no processo. O filme constrói uma interdependência dolorosa: Ally tenta ser a âncora de um homem que se afunda, enquanto Jackson busca na garra dela a inspiração que já não encontra em si mesmo.

A obra se mostra familiar por razões óbvias, mas ganha uma originalidade impressionante pelo olhar intimista de Bradley Cooper na direção. Ele resgata a essência das versões anteriores como a de 1954 e a de 1976, mas sem soar datado. Cooper transforma um melodrama clássico em pura verdade. Sua atuação é impecável, dosando o charme áspero de um músico decadente com o desespero silencioso de alguém que sabe que está perdendo o controle. É, facilmente, um dos melhores trabalhos da sua carreira. Já Lady Gaga surpreende pela sua atuação, entregando uma atuação crua, sem máscaras, funcionando em perfeita sintonia com Cooper.

A fotografia de Matthew Libatique e a montagem do filme fazem toda a diferença. Cooper aposta em planos extremamente fechados, quase sufocantes, nos bastidores e carros, para depois escancarar a câmera para a imensidão dos palcos lotados. Essa oscilação entre o confinamento pessoal e os shows traz uma baita imersão.

Mas a trilha sonora, composta por Cooper, Gaga e nomes como Lukas Nelson, é o verdadeiro coração do longa. O uso diegético das canções faz com que a música não seja apenas um fundo, mas o próprio diálogo dos personagens. “Shallow” funciona como um desabafo para sair daquele lugar, enquanto as músicas finais ganham contornos trágicos e poéticos.

Por fim, Nasce Uma Estrela acerta em cheio ao equilibrar a grandiosidade dos shows com a fragilidade de seus personagens. Através da entrega de Cooper e Gaga, o longa reafirma que, mesmo diante da tragédia e dos ciclos imprevisíveis da vida, a arte e o afeto genuíno são as únicas coisas capazes de permanecer.

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Nasce Uma Estrela pôster

Nasce Uma Estrela

Star Is Born
A16
País: Estados Unidos
Direção: Bradley Cooper
Roteiro: Eric Roth, Bradley Cooper e Will Fetters
Elenco: Bradley Cooper, Lady Gaga, Sam Elliott
Idioma: Inglês

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