Crítica de filme

O Predador

Publicado 5 meses atrás
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Oito anos depois que Predadores (Predators) foi lançado e se tornou um fracasso, veio mais uma tentativa de recomeçar essa franquia, chamada apenas de O Predador (The Predator), um filme tomado por tendências da época, como a “MCUficação” de sagas. Aqui, há um forte toque de comédia unida à ação, e qualquer tentativa de horror fora dispensada. A começar pela trama, que aparenta não ter foco, alternando entre um garoto, depois um grupo de soldados, depois os vilões, depois cientistas e bem ocasionalmente, os predadores.

Diga-se de passagem que, estas criaturas surgem de forma subutilizada, talvez mais do que no anterior. São monstros fáceis de matar, cuja ameaça parece cada vez mais reduzida. Não há coesão, não há ligação que torne a trama coesa, nem mesmo visuais que pudessem distrair aqueles do time “é só desligar o cérebro”.

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Aqui, referências e mais referências aos outros filmes da saga são soltas e, certamente, essa obra quer se mostrar parte desse conjunto, além de tentar sempre mostrar que é a evolução do que veio antes, que é a atualização. O irônico, porém é o fato de os maiores conflitos desse longa serem, na verdade, entre os seres humanos. O triste é que, se ao menos esses conflitos fossem bem desenvolvidos e bem dialogados, ainda seria estranho, mas daria para aceitar. O problema é que nada em O Predador é bem escrito, e seus momentos de diálogo demonstram uma terrível fragilidade narrativa, cheios de expositividade e, pior ainda, piadas sem graça.

O ritmo da obra vai ficando cada vez mais intragável conforme corre o tempo, e junto disso, os personagens pioram. Eles, por si, só já são meros arquétipos de pessoas e a podridão surge quando abrem a boca na tentativa de nos fazer rir. São piadas rodeando sempre os mesmos temas, alongadas e que por muitas vezes retiram o peso de certos acontecimentos. Some isso à cenas de ação que não conseguem sair do lugar comum, preenchidas de câmeras tremidas e efeitos especiais porcos e o resultado será uma experiência abaixo do fundo do poço.

Os atores são uma das piores partes, e nem porque não tentaram, porque na verdade foram bem intencionados em seus trabalhos. Eles pioram as coisas porque, assim como a obra inteira, não se levaram a sério em momento algum, deixando suas cenas irritantes e suas falas arrastadas.

Existem ainda tentativas no subtexto do roteiro de discutir temas dentro da franquia Predador, como o fato de que nem todos eles podem ser maus, de como a humanidade pode ser o verdadeiro monstro, de como pessoas ditas “deficientes” são na verdade o passo seguinte na evolução. O grande problema é que na prática tudo isso não passa da profundidade de uma poça d’água e ainda tem um cheiro azedo quando tenta refletir sobre o espectro autista.

O filme é dependente de CGI que, como já dito, não funciona em nenhum nível. Os predadores parecem sempre fakes e todo o resto parece vindo de um videogame. Fica pior quando se nota que o longa é sustentado pelos efeitos especiais.

O Predador de 2018 é sem dúvida alguma o pior de toda a saga que, numa análise sincera, tem apenas três bons filmes. É uma obra oca de criatividade, chata de se assistir e enfadonha de tentar permanecer assistindo. Pode-se dizer que não vale a pena ver, mas é claro, se você quiser maratonar, então a inclua sabendo que pode acabar caindo no sono.

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O Predador poster

O Predador

The Predator
18
País: EUA
Direção: Shane Black
Roteiro: Fred Dekker, Shane Black
Elenco: Boyd Holbrook, Trevante Rhodes, Jacob Tremblay, Olivia Munn
Idioma: Inglês

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