No longa O Velho Fusca, dirigido por Emiliano Ruschel e escrito por Bill Labonia, acompanhamos o jovem Junior (Caio Manhente), de 18 anos, que, em busca de seu lugar no mundo, descobre um velho Fusca 76 na garagem de seu avô Batista (Tonico Pereira) — um velho durão, amargurado e “pocas ideia”, por assim dizer. Com interesse no Fusca, Junior faz um acordo para ter o carro: fazer uma limpeza na casa do avô; nisso, ele descobre traumas geracionais em sua família. Com isso, o filme debate questões sobre masculinidade frágil, e com um humor bem ousado.
A direção e o roteiro me fazem lembrar de filmes cafonas da Sessão da Tarde, mas o diferencial é o abraço ao cafona e o fato de não esconder e ser o que é. A dinâmica entre Manhente e Pereira é repleta de carisma, uma química que transborda em tela. Confesso que o filme deveria ter focado menos no cômico e ido mais a fundo no drama, apesar de que o cômico da obra só funciona quando Tonico Pereira está em cena.

Aparentemente ousado, Mouse Trap se mostra como um grande desastre ao tentar subverter a imagem do Mickey de forma preguiçosa e amadora
Esperava mais do elenco, principalmente da Cleo Pires e do Danton Mello; e a Giovanna Chaves aqui ficou bem apagada e merecia um certo destaque maior, sim. O personagem de Christian Malheiros é irritante, e a obra perde muito de si mesma ao insistir nele. O maior acerto do filme é Caio Manhente e Tonico Pereira, que salvam a obra da mesmice e trazem reflexões bem pertinentes aos dias atuais.
Por fim, O Velho Fusca é cafona, mas é surpreendente, fazendo um feijão com arroz bem feito e entregando um filme que já vimos, só que de forma positiva.




