O longa Dia D, sob direção do icônico Steven Spielberg, e escrito por seu parceiro de longa data David Koepp, apresenta uma trama que gira em torno de um cenário geopolítico onde o mundo se encontra à beira de uma Terceira Guerra Mundial. Duas pessoas comuns se colidem ao se tornarem o centro da maior conspiracão da história da humanidade. Daniel (Josh O’Connor) é um analista de cibersegurança que roubou arquivos confidenciais e um fragmento de alta tecnologia da Wardex Corporation — uma organização oculta do governo americano que esconde vida extraterrestre desde o caso Roswell. Caçado pelo implacável CEO da corporação, Noah (Colin Firth), ele entra em uma fuga desesperada ao lado de sua namorada, Jane (Eve Hewson).
Ao mesmo tempo, em Kansas City, a vida da meteorologista Margaret (Emily Blunt) vira do avesso após um contato peculiar com um pássaro cardeal. Esse momento desperta habilidades psíquicas na personagem. Durante uma previsão do tempo ao vivo para milhões de espectadores, Margaret perde o controle e verbaliza uma língua misteriosa, que envolve cálculos matemáticos e dialetos incompreensíveis. O vídeo viraliza na hora, colocando uma marcação da Wardex na meteorologista.

O longa Obsessão, escrito e dirigido por Curry Baker, narra a trama de Bear (Michael Johnston), um funcionário de uma loja que é apaixonado por
Perseguidos por agentes infiltrados, Margaret e Daniel se encontram e recebem a ajuda de um grupo de informantes liderados por Hugo (Colman Domingo). Juntos, eles descobrem que suas respectivas memórias de infância foram apagadas e que a presença de seres extraterrestres no planeta sempre esteve muito mais próxima do que imaginavam. Para expor esse escândalo e quebrar o sigilo de Estado, os aliados planejam uma invasão à emissora onde Margaret trabalha para realizar uma transmissão ao vivo global. Esse evento, apelidado de Dia D, mudará para sempre o destino da humanidade.
A obra se mostra tão familiar, mas ao mesmo tempo tão original, muito do talento do seu icônico diretor Steven Spielberg, que tem um dom para criar histórias tocantes e transformá-las em cinema. Percebi algumas semelhanças deste filme com os clássicos E.T. (1982) e Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977). Spielberg resgata bastante coisa desses trabalhos, mas isso não é um problema, porque, como eu disse, ele tem um dom de transformar histórias em cinema. Vemos a leveza e o intrigante na obra, muitas vezes representada pela Emily Blunt, que traz uma performance impecável, intercalando muito bem momentos cômicos e dramáticos. Com toda certeza, esse foi um dos melhores trabalhos de sua carreira, se não foi o melhor. O subestimado e intrigante Josh O’Connor entrega um personagem de tantas camadas, que tem traumas e consegue cativar o público com sua leveza ao contracenar com Blunt. O personagem de Colin Firth é um cara cheio de traumas, mas que é cego pelo poder. Eve Hewson arrebenta demais também, me surpreendeu. No começo parecia ingênua, mas Spielberg fez ela crescer em cena.
A fotografia e a montagem da obra, feita por parceiros de longa data do diretor, como Janusz Kamiński (A Lista de Schindler, Michael Kahn e Sarah Broshar (Os Fabelmans e Amor Sublime Amor), fazem toda a diferença. Muitas vezes filmado em planos fechados e intercalando várias câmeras com foco nos personagens, o longa traz uma certa imersão ao telespectador. E a montagem, meus amigos, é absurda… as cenas de perseguições são espetaculares. A câmera deixa os planos fechados e migra para o plano aberto e, quando ela migra para esse plano… Ela não para quieta, transmitindo a tensão dos personagens para o público.
Mas a trilha sonora composta pelo lendário John Williams faz total diferença. É impressionante o que a dupla Spielberg e Williams reflete, e o resultado é nostalgia. Sem a trilha de Williams, a fotografia e a montagem perderiam muito do seu impacto, apesar de que Williams entregou uma trilha muito mais sutil do que o comum, feita para ficar “por baixo” da ação, dando pequenos empurrões emocionais em vez de guiar as cenas.
Por fim, Dia D acerta em cheio no drama, no suspense e no subestimado humor. Através de Blunt, Spielberg reafirma sua crença mais profunda: diante do desconhecido, a única saída da humanidade é o resgate da empatia, transformando o impacto em um recomeço. É um filme tenso, visualmente arrebatador e que prova que Steven Spielberg, mesmo após décadas de carreira, ainda sabe exatamente como capturar o olhar de espanto do espectador.





Uma resposta
Excelente!!! Já tava afim de assistir! Agora mais ainda!!!