Dois anos após o rentável Five Nights at Freddy’s – O Pesadelo Sem Fim, a famosa franquia dos games de terror retorna aos cinemas com sua aguardada sequência, trazendo de volta Josh Hutcherson, Elizabeth Lail e a diretora Emma Tammi. Mais uma vez, os fãs estarão bem servidos — embora o prato continue sendo o mesmo “arroz com feijão” de antes.
Na trama, um ano depois do terrível evento na Freddy Fazbear’s Pizza, Abby (Piper Rubio) foge de casa para reencontrar Freddy, Bonnie, Chica e Foxy, e desencadeia uma nova série de acontecimentos macabros. Enquanto ela se envolve com os animatrônicos, Mike (Hutcherson) e Vanessa (Lail) desenterram segredos sobre as origens da pizzaria, trazendo novas ameaças à tona.
Se no primeiro filme a precariedade dos elementos de terror foi um ponto baixo, aqui já é possível perceber um aumento da dose, seja em sustos ou até mesmo na violência apresentada. Ainda assim, boa parte das cenas permanece limitada ao que pode ser exibido dentro da classificação indicativa.
Um aspecto positivo que se mantém é o design de produção e de som: o longa segue repleto de gadgets e animatrônicos fiéis ao universo dos jogos, especialmente ao segundo game, base desta adaptação. Além disso, referências e easter eggs surgem aos montes para os fãs mais assíduos. Contudo, mesmo com esses acertos, o roteiro continua apresentando problemas.
A narrativa aqui está escalada em relação à primeira parte, não só pelo terror, mas também pela quantidade de personagens e ameaças, o que aprofunda a mitologia do universo nos cinemas. Mas isso vem acompanhado de personagens subdesenvolvidos e outros praticamente jogados na trama, como é o caso do próprio Mike, com bem menos destaque, e da participação de Skeet Ulrich, que não passa de um breve cameo. Em contrapartida, Vanessa Afton é mais bem explorada, ainda que funcione majoritariamente como dispositivo de exposição, assim como já acontecia no filme anterior.
É importante ressaltar que Five Nights at Freddy’s 2 se coloca como ponte para um próximo capítulo, algo previsível para quem acompanha o universo, mas que acaba se prejudicando pela forma como o filme “prepara” o terreno. Sua reta final é a parte mais fraca: enxuta, apressada e marcada por um gancho abrupto e pouco trabalhado. Além disso, é apoiado por conveniências narrativas que, mesmo já sendo de praxe, forçam a barra para quem estava esperando um desfecho satisfatório.
No fim das contas, Five Nights at Freddy’s 2 repete praticamente os mesmos erros e acertos do primeiro filme e deve agradar o público-alvo. Mesmo com uma narrativa estruturalmente familiar e um final amargo, o longa se sustenta pelo valor de entretenimento, pela escala do terror e pelos animatrônicos que, a essa altura, já se tornaram verdadeiros ícones, e que certamente reaparecerão em breve no próximo capítulo da saga.




