O último filme da diretora Emerald Fennell, Saltburn, não me saltou aos olhos, ainda que possuindo grande beleza visual e um certo tom de atrevimento e acidez. Agora, em 2026, ela retorna com O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights), apresentando uma releitura do clássico de Emily Brontë.
Aqui, Fennell traz vida a obra com um tom levemente surreal, bem diferente da época em relação aos figurinos e até mesmo a arquitetura dos locais apresentados. A direção colocou sua visão em toda a obra, e em muitos momentos ela é bela para os olhos. Narrativamente, no entanto, essa obra é um tanto falha e difícil de manter a atenção. Os diálogos, por vezes, soam adolescentes demais para se levar a sério, assim como os encontros e desencontros que não chegam a convencer totalmente. Da mesma forma, ainda que as performances sejam boas, quase chegam no exagero. Margot Robbie mantém a régua alta, mas Jacob Elordi escorrega muito no novelesco, e parece ter dificuldade em expressar sentimentos negativos.

Em A Noiva!, a estética gótica é um espetáculo de luz e sombras que hipnotiza, mas o roteiro acaba silenciando a própria revolução que se propôs a gritar.
Contudo, devo frisar que sou o tipo de pessoa que valoriza artistas que não têm medo de por sua visão no que fazem, e admiro como Fennell realizou esse feito. A diretora sabe da enxurrada de negatividade que recebe, e sabe que seu filme vem sendo chamado de “um dos piores” do ano, mas se manteve na ideia que escolheu. Quanto a mudança de etnia do personagem de Jacob Elordi, Fennell falhou em demonstrar por que isso foi feito. Ao invés de acrescentar carga dramática ao personagem com essa mudança, ela retirou muitas camadas dele, o deixando quase unidimensional, e opaco. Da mesma forma, acredito, acabou por fazer o mesmo com o filme todo.
No mais, o filme não é arrastado, nem difícil de assistir, apenas difícil de levar a sério e embarcar totalmente. O ritmo cai algumas vezes, e pode provocar tédio em quem assiste, mas os figurinos, a fotografia, as cores, a trilha sonora, a ambientação e a química do casal principal conseguem fisgar quem estiver afim de ver uma versão mais “moderna” desse clássico da literatura.




