O documentário A Hora do Recreio, de Lúcia Murat, acompanha depoimentos de alunos da rede pública do Rio de Janeiro. Nestes relatos, vemos violência de gênero, homofobia e racismo. Tais falas denunciam um certo descaso em relação a esse tipo de atitude. Vemos o cotidiano desses alunos e moradores das favelas lidando com tiroteios em operações policiais e com o medo frequente. Gosto da direção de Murat; a fotografia é primorosa e o roteiro, envolvente.

Em Kokuho, fica claro que a busca pela perfeição não ocorre sem sacrifícios devastadores.
O ponto que mais me impressiona é o fato de Murat fugir do clichê documental. Em vários momentos do documentário, através de figurantes, ela encena o racismo e a violência policial. Murat exalta a cultura negra ao projetar imagens de figuras históricas e trazer a capoeira para a câmera. Discute também as obras de Lima Barreto, como Clara dos Anjos, e algumas expressões problemáticas da época.
Por fim, A Hora do Recreio tem uma direção ousada e um roteiro envolvente. Porém, a obra se perde em alguns momentos da trama, embora ainda exerça com maestria seu papel de denúncia.




