Markiplier, nome artístico de Mark Fischbach, é um criador de conteúdo norte-americano e um dos maiores nomes do YouTube no universo de jogos. Seu canal, iniciado em 2012, reúne mais de 30 milhões de inscritos e é conhecido principalmente por vídeos de gameplay, especialmente de jogos de terror, além de esquetes e projetos narrativos. Ele ganhou grande popularidade jogando títulos como Amnesia: The Dark Descent e Five Nights at Freddy’s, além de diversos jogos independentes. Com o passar dos anos, Markiplier também passou a investir em produções mais ambiciosas e interativas, como A Heist with Markiplier e In Space with Markiplier, projetos que demonstram sua intenção de ir além do formato tradicional do YouTube e explorar narrativas mais elaboradas e cinematográficas.
Essa busca por narrativas mais ambiciosas acabou levando Markiplier a dar um passo maior em direção ao cinema com o filme Iron Lung. O projeto é uma adaptação do jogo independente de mesmo nome, criado por David Szymanski, e marca a estreia de Markiplier como diretor de um longa-metragem. Além de dirigir e escrever o roteiro adaptado do jogo de Szymanski, ele também protagoniza o filme e participou ativamente da produção, investindo recursos próprios e trabalhando com uma equipe profissional de cinema. A história acompanha um prisioneiro, Simon (Fischbach), enviado em uma missão suicida para explorar um oceano de sangue em uma lua alienígena dentro de um submarino claustrofóbico, expandindo o universo e a narrativa do jogo original.

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Impressiona o quão bem-sucedida é a empreitada de Fischbach em sua estreia tendo em vista que o orçamento do longa não chegou a 5 milhões de dólares, quantia irrisória perto dos valores gastos pelos filmes mais simples feitos em Hollywood hoje em dia. Filmado praticamente todo dentro de um cenário, o submarino do título, Iron Lung remete aos clássicos bottle episodes de séries americanas, episódios que se utilizam de apenas um cenário com a intenção de economizar no orçamento (um dos melhores exemplos é o episódio “Fly” de Breaking Bad). Claro que isso não é o motivo principal para a decisão artística do diretor, uma vez que o jogo que origina o longa também se passa todo dentro do submarino, mas com certeza ajudou a reduzir bastante os custos da produção.
Se passei os primeiros três parágrafos discutindo a produção do filme, isso se dá pelo fato dessa ser a parte mais interessante sobre ele. A história se desenvolve tão lentamente que parece parar em alguns momentos das suas longas duas horas (uma hora a mais do que a duração do jogo original). Ao tentar expandir o universo, Fischbach adiciona subtramas que ou se repetem, ou não levam a lugar algum. São decisões que acabam enfraquecendo um longa que começa muito bem, desenvolvendo um bom clima de tensão e mistério sobre os reais motivos da missão de Simon por esse mundo pós-apocalíptico lovecraftiano. Os minutos finais até conseguem recuperar um pouco desse clima, mas a sensação ao fim do longa é apenas de cansaço.
No entanto, com esse projeto, Markiplier mostra que criadores surgidos na internet também podem produzir obras cinematográficas de terror com ambição e qualidade comparáveis às produções tradicionais de Hollywood. Tanto nos seus acertos quanto nos seus erros.
P.S.: Para os gamers, fiquem atentos à participação de Troy Baker, ator que deu vida a vários personagens icônicos nos vídeo games, como o Joel de The Last of Us.




