No longa Nino de Sexta a Segunda, sob direção da estreante Pauline Loquès, acompanhamos uma trama inspirada em fatos reais. O filme narra um fim de semana intenso na vida de Nino (Théodore Pellerin), um jovem que vive um momento de vulnerabilidade ao descobrir um câncer. A partir do momento em que médicos lhe dão duas missões, ele inicia uma busca por um lugar no mundo, lidando com as marcas de seu passado.

Há filmes que assistimos e filmes que sentimos à flor da pele. A Cronologia da Água é uma catarse necessária sobre o ato de sobreviver.
A trama se desenrola entre sexta e segunda-feira, período que a diretora utiliza para esculpir um retrato íntimo e visceral da juventude contemporânea, onde a busca por afeto se mistura à urgência de se encontrar no mundo. Como aspirante na direção, Loquès surge de forma arrebatadora em seu primeiro filme, e certamente dará muito o que falar no futuro. Nino de Sexta a Segunda é um filme apaixonante que intercala muito bem os momentos cômicos e dramáticos, além de contar com uma performance espetacular de Théodore Pellerin. Loquès arrebenta na direção e no roteiro. Apesar de alguns deslizes, a atuação de Pellerin e a direção de Loquès não deixam o filme beirar o monótono.
Por fim, Nino de Sexta a Segunda se consolida como um retrato visceral sobre o viver. Entre as marcas do passado e as incertezas em relação ao futuro, o filme nos ensina que quatro dias — vividos de forma visceral por quem descobriu o valor da vida — podem ser o suficiente para mudar o rumo de uma existência e ressignificar o que é, de fato, pertencer a algum lugar.




