O longa documental Copan, escrito e dirigido por Carine Wallauer, narra o cotidiano do Copan, um edifício histórico da cidade de São Paulo, criado pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer na década de 50 e que hoje é um dos edifícios mais luxuosos do país. O longa se passa no 2º turno das eleições de 2022, trazendo relatos de vários moradores e funcionários desse edifício, o que traz à tona pontos de vista que revelam os contrastes da desigualdade estrutural do país. Desde o trabalho doméstico ao de secretário, Wallauer discute política sem tomar partido, mas sim focando no olhar desse povo.
A diretora Carine Wallauer tenta trazer esteticamente o Copan como um personagem imaterial, mas ao mesmo tempo material da trama, e faz isso usando um viés arquitetônico na fotografia do longa. No geral, o documentário cumpre o que promete, não se desvencilha do cotidiano do gênero e, em certos momentos, perde-se em sua própria narrativa. Porém, a arquitetura usada como personagem não permite que o espectador não se sinta vidrado na trama.

Em Zafari, o isolamento é filmado com precisão, mas se perde no silêncio de um roteiro que hesita.
Por fim, Copan é um longa documental que discute política, desigualdade e sociologia com sagacidade e ousadia, deixando de lado o ponto de vista da direção para focar no povo, a partir de suas respectivas vivências. O filme se destaca por sua fotografia arquitetônica hipnotizante, retratando o Copan como um gigante presente na história de centenas de paulistanos.




