O longa A Empregada, sob a direção de Paul Feig e escrito por Rebecca Sonnenshine, é uma adaptação do livro de mesmo nome de Freida McFadden. Na história, acompanhamos a personagem Millie (Sydney Sweeney), que é contratada pelo casal Nina (Amanda Seyfried) e Andrew (Brandon Sklenar). No entanto, Millie esconde um passado traumático que ela não quer que seus patrões saibam… Nisso, ela, no geral, atua como babá da filha deles. Millie se vê sufocada quando Nina começa a agir de forma estranha, ordenando tarefas — como comprar ingressos de um musical para o casal e reservar um hotel — e, depois, tem um surto psicótico, culpando a funcionária por tê-las feito sem sua autorização e exigindo que ela pague os custos.
Diante disso, Andrew sugere que os dois vão juntos, como uma ocasião formal e descontraída; mas, nessa oportunidade, acabam se rendendo a uma relação informal. Nina descobre, surta, e o marido a coloca para fora de casa… Até aí, Millie acredita ter o final feliz que sempre sonhou, até perceber que o mar de rosas não é tão bonito assim.

Uma fazenda busca a igualdade, mas cai em um regime totalitário. A adaptação de Andy Serkis suaviza o tom para as crianças sem perder a moral de Orwell.
A produção marca um momento curioso na carreira de Paul Feig ao fugir de seu estilo tradicional: as comédias. Porém, ele flerta bastante com o gênero por aqui, só que não de forma excessiva. O roteiro de Rebecca Sonnenshine é simples, porém inteligente. É previsível? Em alguns momentos sim, mas mantém a história sob uma linha tênue durante os 127 minutos de duração, muitas vezes carregada pelo trio principal. A direção é cirúrgica, principalmente em sua fotografia, ao fazer leves flertes com a estética de Stanley Kubrick (O Iluminado), contribuindo assim para uma atmosfera de suspense.
Vimos recentemente em Obsessão, de Curry Baker, uma crítica aos relacionamentos tóxicos — uma crítica voltada aos homens. A Empregada segue praticamente por essa mesma abordagem, principalmente na ideia de o homem ter controle sobre o corpo da mulher e querer obter o domínio sobre ela. Só que aqui, com um viés um pouco já saturado.
Por outro lado, o enredo ganha força através de sua ótima trilha sonora; a pegada pop se encaixa muito bem na proposta da narrativa, embora eu a ache descompromissada em certos momentos. Nomes como Taylor Swift e Sabrina Carpenter completam a trilha com canções como “Please, Please, Please” e “I Did Something Bad”. Gosto de como essas músicas não estão ali por acaso, mas conversam indiretamente com os protagonistas.
As atuações do trio principal são ótimas, principalmente a performance de Amanda Seyfried, que brilha ao construir uma Nina incompreendida e bem convincente em suas oscilações de humor. Já Sydney Sweeney e Brandon Sklenar entregam bons trabalhos e exalam química em cena, embora eu sinta que não saem da zona de conforto e fazem o básico — porém, é efetivo para o roteiro, que se perde em certos momentos.
Por fim, A Empregada é uma farofada que entrega tudo: entretenimento, romance, suspense, comédia e crítica social. É previsível? Sim, mas funciona como um bom filme de sexta-feira à noite.




