No longa O Bolo do Presidente, escrito e dirigido por Hasan Hadi, acompanhamos o Iraque de 1990, durante o regime ditatorial liderado por Saddam Hussein, através dos olhos de uma criança. Lamia (Baneen Ahmad Nayyef) é sorteada na escola para fazer o bolo do presidente (feriado obrigatório no Iraque). O regime exigia que todas as escolas preparassem um bolo em sua homenagem e, caso a ordem não fosse cumprida, Lamia sofreria as consequências. A partir disso, vemos a garota numa corrida contra o tempo para conseguir os ingredientes para fazer o bolo, em um momento em que o país sofria com a pobreza severa, escassez de alimentos e severas sanções internacionais devido à invasão do Kuwait, em agosto do mesmo ano.

No longa O Labirinto dos Garotos Perdidos, escrito e dirigido por Matheus Marchetti, narra-se uma trama fantasiosa que mescla terror e suspense. Nisso, acompanhamos Miguel,
A direção e o roteiro de Hasan Hadi refletem uma denúncia contundente ao regime. Embora sutil, Hadi revela ao público, através de Lamia, a crueldade e o totalitarismo, usando muito o poder da fotografia ao valer-se de planos abertos para mostrar não só o horror que Lamia presencia, mas também o povo ao redor. A atuação de Baneen Ahmad Nayyef é impressionante, conseguindo trazer momentos cômicos junto ao galo de estimação de sua personagem. A obra consegue trazer uma nova perspectiva de crítica a esse tipo de regime: em vez de focar na guerra e em soldados, que já estamos acostumados a ver, o grande triunfo do filme está na construção da atmosfera. O terror da guerra é invisível, mas onipresente, se manifestando nos olhares desconfiados entre vizinhos e no pânico generalizado de falhar perante o Estado.
Por fim, O Bolo do Presidente é sobre como regimes totalitários não se sustentam apenas no militarismo, mas sim na violência psicológica diária sobre a população. Hadi traduz isso com excelência durante os 103 minutos através de Lamia, uma garota que, aos 9 anos, teve a sua inocência perdida devido a uma guerra que sequer era sua.




