No longa O Labirinto dos Garotos Perdidos, escrito e dirigido por Matheus Marchetti, narra-se uma trama fantasiosa que mescla terror e suspense. Nisso, acompanhamos Miguel, um jovem do interior que vai para São Paulo para fazer uma prova. Ele fica na casa de um conhecido da internet, que o trata com certa frieza. Miguel passa a madrugada vagando e vivenciando encontros bizarros, enquanto um serial killer está à solta nas ruas de São Paulo.
Diria que a premissa do filme é interessante até certo ponto, mas a sexualização, que poderia ser um bom fator narrativo, acaba se tornando algo exorbitante — o que não era para ser um problema. Porém, a direção de Marchetti me impressionou principalmente pela sua fotografia e ousadia, com planos meticulosamente fechados e vibrantes

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Mas o terror aqui funciona, de certa forma… Principalmente pela fotografia da obra do que pelo roteiro em si, focando em um horror corporal que me lembra filmes como A Substância (Coralie Fargeat) e A Pele que Habito (Pedro Almodóvar). A escolha do diretor de trazer os assassinatos do serial killer através dos sonhos do personagem principal ajuda a ditar o tom de suspense. Matheus Marchetti quer, a todo momento, impactar e incomodar o espectador, e acredito que isso é o maior acerto da obra em si, impulsionado por um elenco que arrebenta e consegue transmitir esse desconforto no ponto exato, e até além dele.
Por fim, O Labirinto dos Garotos Perdidos acerta em sua fotografia e construção narrativa até certo ponto, mas peca ao focar demais na sexualização — o que deixa o filme meio arrastado — e se esquecer das suas respectivas tramas e subtramas. O filme tem mais acertos do que erros em si, mas o abandono de certas narrativas que a obra se propõe a contar faz com que o resultado não seja perfeito.




