Em O Pitch, sob a direção de Joaquim Haickel e Coi Beluzzo, escrito por Haickel, acompanha um diretor e uma produtora que viajam a São Luís do Maranhão para conhecer cinco personas que carregam um amor ao cinema; e, nesse amor, existem histórias que vão nos fazer rir, chorar, se emocionar e se impactar. Afinal, essa é a magia do cinema.
A premissa é deliberadamente simples, mas rica em subtextos: acompanhamos o processo de pitching (a venda de uma ideia para produtores ou investidores), onde um diretor e sua produtora buscam uma história que fuja dos padrões do cinema brasileiro. O grande trunfo do roteiro, no entanto, é a forma como injeta dinamismo e humor nessa sala através de citações diretas a dois gigantes do cinema mundial: Pedro Almodóvar e Quentin Tarantino, por meio das histórias.

No último dia 14 de maio, assisti no Marché du Film ao longa-metragem 2 Graus ao Sul do Equador, roteirizado e produzido por Joaquim Haickel
A inclusão dessas referências transforma o pitch em um verdadeiro papo de cinema. Ao evocarem Almodóvar, os personagens buscam o melodrama escrachado, as cores saturadas e a intensidade das relações viscerais. A invocação de Tarantino traz o contrapeso perfeito: a ironia ácida e a violência. Esse choque entre a dramaticidade passional do cinema espanhol e o fetiche estético do cinema americano enriquece o texto de Haickel, que, a partir dessa metalinguagem, afasta o filme do clichê e o aproxima do público pelo amor universal pelo cinema.
O Pitch ganha tração na tela graças ao dinamismo e à entrega de seu elenco. A química entre Áurea Maranhão e Breno Nina é o que faz a história andar, equilibrando o peso dramático com a comicidade das narrativas contadas através das personas. O suporte do elenco composto majoritariamente maranhense ajuda a criar a atmosfera de autenticidade necessária para que os relatos das cinco histórias não pareçam tramas aleatórias do filme, mas sim histórias com potencial.
Por fim, O Pitch se revela muito maior do que sua premissa inicial sugere. Não se trata apenas de um filme sobre histórias para se fazer cinema, mas sim sobre o amor dessas pessoas colocado através de seus relatos; pessoas que cresceram vendo Titanic, Pulp Fiction, Tudo Sobre Minha Mãe… Joaquim Haickel reafirma que fazer cinema é, antes de tudo, um ato de paixão. O Pitch se consolida como uma pequena, vibrante e cinéfila janela para o mundo.





Respostas de 3
obrigado!
Muito boa e incrívelmente certeiras e precisas suas observações sobre este filme. Parabéns!
obrigado!