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Cidade dos Anjos

Publicado 17 horas atrás
Nota do(a) autor(a): 5

O que define a experiência humana? Seria a nossa capacidade de raciocinar, de construir sociedades ou, simplesmente, a nossa inevitável finitude? No final dos anos 90, era lançado Cidade dos Anjos. Sob direção de Brad Silberling e escrito por Dana Stevens, a trama escolhe um caminho mais sensorial para essa pergunta. Longe de ser um drama romântico clichê, a obra se constrói como uma metáfora sobre o amor e, acima de tudo, sobre o sentir.

Acompanhamos Seth (Nicolas Cage), um anjo que habita uma Los Angeles melancólica, observando as dores e os triunfos humanos sem jamais poder contê-los materialmente. Os anjos aqui vivem uma eternidade de forma pacífica e contemplativa — frequentemente reunidos e cercados por silêncio. No entanto, é no encontro com Maggie (Meg Ryan) que a perfeição sobre a eternidade entra em crise. Ao ouvir os pensamentos e a frustração dela após a morte de um paciente, Seth não só descobre o amor, mas o desejo de pertencer àquele lugar.

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É nesse contexto que o filme atinge o seu ápice: o contraste entre o espiritual e o terreno não se dá pelo pecado, mas pelo sentir. Para ele, o amor não pode ser pleno enquanto for apenas uma ideia. Precisa ser material. O roteiro pontua isso de forma formosa através de pequenas descobertas do personagem após a sua “queda” — o sabor intenso de um alimento, o corte na mão que sangra friamente, o toque. Viver, para o filme, é um ato palpável. Essa necessidade de ser real e de se fazer notar é traduzida perfeitamente pela melancólica canção Iris, do Goo Goo Dolls, cujo clamor por ser visto e compreendido ecoa o próprio desejo do anjo de, finalmente, ser sentido.

O amor, portanto, funciona como uma pulsação dessa humanização. Quando Seth decide abrir mão de sua eternidade, ele não o faz por um ato ingênuo, mas sim pela consciência de que uma única vida baseada no afeto real vale mais do que mil eras em uma existência anestesiada. O filme nos lembra de uma verdade que frequentemente esquecemos no dia a dia: a beleza das coisas está justamente na vulnerabilidade delas.

Essa vulnerabilidade cobra o seu preço ao fim. A perda repentina de Maggie, logo após Seth alcançar sua humanidade, choca o espectador, mas é o elemento que justifica a tese de sua narrativa. A dor do luto é o preço que se paga pelo privilégio que é amar. Ao afirmar que preferiria ter sentido o cheiro de seu cabelo uma única vez a viver a eternidade sem isso, Seth sela a mensagem central da obra: a vida não deve ser medida pela sua duração, mas sim pela sua intensidade e profundidade que nos permite sentir.

Por fim, Cidade dos Anjos permanece, mesmo após anos de seu lançamento. Ele nos convida a fechar os olhos por um instante e ver o amanhecer, nos fazendo lembrar de que a maior transcendência possível não está no céu, mas na coragem de sermos carne, osso e sentimento.

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Cidade dos Anjos poster

Cidade dos Anjos

City Of Angels

País: Estados Unidos

Diretor(a): Brad Silberling

Roteirista(s): Dana Stevens

Elenco: Nicolas Cage, Meg Ryan, Andre Braugher

Idioma: Inglês

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