Assim que começa, Corra Que A Polícia Vem Aí mostra uma das suas principais características: a sátira aos filmes de ação policial feita por um humor baseado no nonsense. Aqui, acompanha-se o policial Frank Drebin, interpretado pelo hilário Leslie Nielsen. Ele precisa correr contra o tempo para salvar seu parceiro, Nordberg, que está no hospital, de toda uma conspiração criminosa que domina a cidade.
Nada tem muita explicação e tudo é bem rápido, inclusive as piadas, que começam e terminam repentinamente. A principal atração do longa é como ele tira sarro dos filmes sérios de policiais. Muitos elementos básicos são transformados aqui, como subornos feitos por policiais, carros explodindo com poucos tiros, desenhos de corpos em lugares inusitados, a forma como os romances nessas obras são superficiais. A própria narração em off do protagonista e a trilha sonora satirizam os filmes noir.

Vale revisitar? Analisamos O Mando é das Mulheres (La Matriarca), comédia erótica italiana com Catherine Spaak e trilha de Trovajoli.
A narrativa, por sua vez, é bem sucedida graças a um humor tão apurado que, mesmo não fazendo rir sempre, se mantém no alto por nunca parar de trabalhar. A própria obra realiza um grande serviço ao fazer desnecessário o uso de explicação para o que está acontecendo. As coisas não fazem sentido, e o público não quer que façam, o que é consequência de um trabalho bem feito.
Dirigido com competência por David Zucker, Corra Que A Polícia Vem Aí é hilário e bastante original, o que é irônico considerando toda a sátira da coisa. É um grande trabalho que até hoje perdura em sua graça.




