Crítica de filme

O Predador: A Caçada

Publicado 3 meses atrás
Nota do(a) autor(a): 4.5

O Predador: A Caçada (Prey) chegou em 2022 com uma proposta batida e cansada: reiniciar a franquia e tentar extrair algo dela, ao mesmo tempo em que tenta novas direções e respirar novos ares. Depois do desastre do longa de 2018, decidiram que o melhor seria literalmente mudar as coisas e, agora, o embate entre homem e alien vai para meados do século 18 com uma garota indígena lutando pela sobrevivência contra um terrível monstro vindo do céu.

Deve-se admitir que tal mudança desperta o interesse e ativa a área do cérebro responsável pela curiosidade. Poucas vezes se vê filmes medievais ou que se passem na idade moderna tratando de temas como invasão alienígena (o que, pessoalmente, acho uma pena) e, pelos exemplos existentes, é difícil imaginar que venha outro tão cedo. O que interessa é: Prey consegue trazer a franquia Predador de volta? Ele consegue respirar novos ares? A resposta é sim e não ao mesmo tempo, embora seja indiscutível que este se trate do melhor desde o primeiro.

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Com ainda mais carinho, James Cameron continua sua saga em meio a uma narrativa envolvente, visuais espetaculares e emoção, embora tropece um pouco.

A direção de Dan Trachtenberg tenta trazer o realismo para cá com uma trama bem mais pé no chão e ainda é feliz por ter escolhido uma época passada para contar a história, possibilitando situações complicadas para a protagonista. Aqui, é incrível ver-se imerso em situações onde tecnologias viriam muito a calhar. Não só isso, Dan volta a investir no horror, mesmo que este não seja o forte dessa saga, preenchendo as cenas com iminência e bastante violência, porém com ressalvas, já que existe um forte uso de sangue digital, o que empobrece a ação.

A protagonista é engenhosa, corajosa e muito habilidosa – misturando os protagonistas anteriores. Não demora até que o espectador crie conexão e torça pela moça, ainda mais pelo contexto que em que ela se encontra, sendo destratada e diminuída por ser uma mulher que deseja ser guerreira dentro da tribo. O tempo inteiro a direção, o roteiro e a própria atriz demonstram como tudo está contra ela, os desafios são mais difíceis, as lutas são mais dolorosas e até mesmo o medo é pior, já que a própria criatura a “rejeita” por ser “indefesa”. Sim, certamente há um bom estudo em torno do machismo estrutural e do preconceito aqui, embora ele possa não ser tão bem passado ao espectador.

Eu diria que o maior problema de Prey é como, em todos os momentos, o filme tenta passar a ideia de que Naru (a protagonista) precisa se superar para vencer seus obstáculos, mas ao mesmo tempo facilita as coisas para ela. Quando em ação, praticamente não é ferida e, infelizmente, nota-se um quê de “super-heroína” nas acrobacias da personagem. Ela salta, pula e se pendura nas coisas de forma que parecem fora do ar de realismo que Dan tenta entregar na obra. Em momentos de fuga, Naru praticamente não corre perigo, restando para os coadjuvantes o papel de “servir para a ação”.

Outro problema é que Prey parece se escorar muito no filme original, praticamente repetindo seus acontecimentos, apenas trocando o contexto, os personagens e o local. No centro, tudo é a mesma coisa.

No entanto, a maior qualidade aqui está, ironicamente, na protagonista e nos enfrentamentos relacionados ao predador. As cenas de embate são brilhantemente filmadas e muito reais, assim como é ótima a criatividade do diretor em apresentar a tecnologia yautja de forma mais “rústica”.

Não é a obra mais criativa, nem a mais única dentro da franquia Predador ou dentro do cinema de horror com aliens, mas Predador: A Caçada foi um recomeço e tanto, além de possibilitar o lançamento de novas obras e trazer para essa saga a chance de brilhar novamente.

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O Predador: A Caçada poster

Predador: A Caçada

Prey
16
País: EUA
Direção: Dan Trachtenberg
Roteiro: Patrick Aison
Elenco: Amber Midthunder, Dakota Beavers
Idioma: Inglês

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